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NO TRÂNSITO SOMOS TODOS PEDESTRES

Estatísticas de Organismos Nacionais e Internacionais revelam que o percentual de mortes de pedestres entre o total de mortes no trânsito é significativamente menor na Europa e nos E.U.A. (20%) do que na América Latina (60%). Não bastasse as preciosas vidas que aqui desperdiçamos em decorrência da miséria, subnutrição, ignorância e da violência, soma-se a elas as que são estupidamente perdidas no trânsito, grande parte, pedestres. Se, para os primeiros casos a solução é muito complexa, envolvendo desde a mudança de hábitos culturais até a política econômica, cremos que para as mortes de pedestres a solução esteja bem mais ao alcance de cada um de nós.

Já há algum tempo, o processo de habilitação vem sendo aprimorado, obrigando inclusive motoristas habilitados já há anos, a freqüentarem cursos de aperfeiçoamento. Longe da discussão sobre sua conveniência, entendemos devam ser esses cursos, tanto os de habilitação quanto os de renovação, verdadeiras oportunidades de reflexão que envolvam temas como responsabilidade e até mesmo ética, propiciando a todos que possam ali enxergar que, muito mais do que habilitar-nos a conduzir um veículo satisfatoriamente, o façamos com a preocupação primordial de preservarmos a integridade física de todos os envolvidos nesse complexo sistema, que convencionamos chamar “Trânsito”.

Acreditamos que, caso o indivíduo seja preparado desde sua infância, passando pelos bancos escolares e finalmente pelos cursos de formação de condutores, para que seja um pedestre consciente, ético, conhecedor não só de seus direitos, mas também de seus deveres de cidadão integrante do conjunto de veículos que trafegam à sua volta, estaremos inexoravelmente formando motoristas que naturalmente respeitarão as regras de trânsito não somente para que não sejam multados ou punidos, mas sim para que preservem os demais seres humanos que estarão a seu lado.

Assim, aquele que teve sua iniciação no processo chamado Trânsito, como um pedestre bem informado e bem orientado, voltado não só para as preocupações práticas e técnicas, mas também e, principalmente, para as questões éticas e de responsabilidade, ao pretender tornar-se um condutor, aproveitará os conhecimentos complementares que ali serão ministrados para robustecer sua preocupação com o SER. Quando isto ocorrer de forma natural e perene em nossa América Latina, ao menos nesse quesito teremos valorado identicamente os que aqui vivem com os que vivem na Europa e nos E.U.A.

Uma maneira fácil de colocar em prática o que dissemos é lembrar-mo-nos sempre que, ainda que na condução de um automóvel, motocicleta, ônibus, caminhão ou bicicleta, “NO TRÂNSITO (PRIMEIRAMENTE), SOMOS TODOS PEDESTRES”. Antes de tudo!

Luiz Roberto Saúd Bertozzo
(Delegado de Polícia – 2º D.P. Lins)

 

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