SEGURANÇA E FAMÍLIA
Para
falar de segurança é preciso antes de mais nada definí-la.
O que é segurança?
Segundo o dicionário Aurélio, segurança é
condição daquele em que se pode confiar; garantia; confiança
em si mesmo.
Seguro é aquele que está livre de perigo; protegido; que
não hesita, é firme.
Pode-se afirmar que a pessoa segura está bem com ela e com o meio.
Considero que podemos dividir a segurança em dois tipos: a segurança
externa e a interna.
A segurança externa que é estabelecida pelos policiais,
políticos, autoridades, a sociedade enfim, encontra-se fragilizada.
Basta observar que estão transferindo a responsabilidade deles
para a população ( o referendo a ser votado em 23/10/05
é um exemplo deste descompromisso).
Esta segurança que nos permite viver sem riscos num mundo de perigos
está desautorizada pela corrupção, pelas drogas e
pela falta de valores!
Estamos vulneráveis, estamos inseguros... Por isso temos que desenvolver
a nossa segurança interna.
Segurança interna é aquela que nos empurra para frente,
que nos permite ter auto-cuidado, que mostra que somos capazes, que é
constituída na família e formada dentro de cada um de nós.
“A criança que conhece a segurança no estágio
inicial, começa a alimentar a expectativa de que nunca lhe faltarão,
nem a abandonarão”. (Winnicott p105, 1999).
A família que constitui a segurança na criança deve
ser coesa e oferecer as necessidades básicas a elas, ou seja, cuidados.
Segundo Capelatto (2001) “família é o conjunto de
pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas, por uma dinâmica
chamada afetividade”.
É a ela que cabe a primeira etapa de socialização
e estruturação da criança.
A afetividade traduz-se numa relação de amor, onde os pais
cuidam dos filhos. O cuidado é que faz a criança se sentir
segura e deve ser desenvolvida no íntimo de cada uma, com a crença
em algo que é confiável e duradouro, que é recuperável
se se perder.
Este porto seguro é a família, que até mesmo os adultos
necessitam, pois proporciona a sensação de raiz, de um lugar
para se voltar quando não se tiver mais para onde ir.
O ser humano é o animal que permanece por maior tempo sob os cuidados
dos pais.
Afetividade é cuidado.
Cuidado é tempo oferecido em forma de contato físico (abraços,
carinhos), de “nãos”, de limites, de rotina.
O indivíduo que recebe cuidado é aquele que não transpõe
os limites que o colocam em perigo, transpõe os limites para o
seu crescimento e amadurecimento e tem respeitado os limites de sua individualidade.
Crescer, desenvolver-se é superar limites... “Educar uma
criança, longe de ser apenas impor-lhe limites, é, antes
de mais nada, ajudá-la cognitiva e emocionalmente a ir além”.(La
Taille, pg 14)
Cuidar não é sinônimo de mimar ou constranger.
A criança mimada é aquela que tem todos os obstáculos
retirados do seu caminho e então não aprende a frustar.
Não sabe administrar um não e torna-se insegura, pois cada
vez que surge uma dificuldade não sabe como agir e o que sentir.
A criança constrangida é aquela que não tem respeitado
os limites de sua individualidade ficando exposta e tendo suas ações
expostas a estranhos.
A coerência familiar aparece de forma equilibrada na vida da criança,
contribuindo com seu desenvolvimento. Oferece liberdade sem abandonar
e protege sem sufocar.
Portanto falar em segurança infantil sugere que falemos de família.
Conseqüentemente temos que fortalecer a família trazendo-a
para a sociedade, oferecendo apoio, orientando e valorizando seu papel
de formadora, através de iniciativas como essa.
Bibliografia
-
Bettelheim, Bruno – Uma vida para seu filho. Círculo do livro
- La Taille, Y. – Limites: três dimensões educacionais.
Ed. Ártica. 3ª edição.2000 – SP
- Winnicott, D.W – Conversando com os pais – Ed. Martins Fontes
– 1999 – SP
- Capelatto, I – Diálogo sobre a afetividade: o nosso lugar
de cuidar. Ed. Viraser 2001 – Londrina/PR
- ONG Vir a Ser – e-mail: viraser@hotmail.com e home page: www.viraser.hpg.com.br
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