FUMAR E BEBER
O
aumento do número de casos de câncer diagnosticados e tratados
determina o elevado índice de mortalidade dos casos em geral e
os da garganta (base da língua) em particular. No Brasil, 305.300
novos casos de câncer foram diagnosticados em 2001 e 117.550 morreram
da enfermidade no período. Isto se deve, entre outros fatores,
ao aumento da vida média da população, aos resultados
dos programas de promoção e recuperação da
saúde, a fatores ambientais e de mudanças de comportamento,
responsáveis pela gênese do câncer. Diante das variáveis
estudadas, ficou evidente a importância de fatores epidemiológicos
e estatísticos no estabelecimento do diagnóstico precoce
e de prevenção. Este tipo, câncer da garganta/base
da língua, caracteriza-se pela evolução insidiosa
e invasões para o pescoço uni ou bilaterais precoces.Os
casos são de carcinoma espinocelular (CEC), em sua maioria absoluta,
predominantemente no sexo masculino na 5a década de vida, estando
diretamente relacionados ao consumo de álcool e fumo.
No Brasil, há 36 milhões de fumantes, dos quais 40% em São
Paulo, sendo que ocorre um abandono do hábito em cifras de 3% ao
ano, e, quanto ao álcool, 1,3 bilhões de litros de aguardente
são produzidos anualmente. Ao lado disto, o câncer da garganta
é de diagnóstico tardio pela ausência de sintomas
precoces e pela falta de preparo dos profissionais (médicos e dentistas).
Considerados estes fatos, o diagnostico é feito nas fases avançadas
quando já invadiu estruturas adjacentes, sendo que os procedimentos
terapêuticos já são pouco efetivos.
Quanto aos sintomas dor ao engolir foi predominante (37,6%), seguida de
gânglio no pescoço (21,7%) e dificuldade para engolir (14,5%).
No que diz respeito ao tempo de consumo do tabaco e do álcool,
todos apresentavam tempo de consumo médio de 35 a 40 anos nos estádios
avançados para o tabaco e 31 a 32 anos para o álcool. Quanto
à associação de ambos, esta ocorreu em 83,8% dos
casos, 11,7% de um ou outro e 4,5% de nenhum.
A evolução da doença se caracteriza pelo tempo relativamente
curto, avanço silencioso do tumor primário e comprometimento
de gânglios, para a qual os resultados de sobrevida demonstram pouca
eficácia tanto dos tratamentos cirúrgico quanto do radioterápico,
isolados ou associados entre si e à quimioterapia. Fica evidente
ainda que, através das características epidemiológico-clínicas
deste câncer, e de sua associação ao tabagismo e/ou
alcoolismo, que a ocorrência e a mortalidade é alta, decorrentes
de sintomatologia insidiosa, estadiamento avançado, quando a escolha
da terapêutica praticamente é irrelevante.
Conclui-se que, na maioria absoluta dos casos, somente a prevenção
com o abandono do consumo de tabaco e álcool é eficaz neste
tipo de câncer.
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