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Procura de mulheres por serviço sobre agressão aumentou 1.074% em quatro anos
Um levantamento da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres divulgado nesta quarta-feira mostra que nos últimos quatro anos aumentou em 1.074% o número de mulheres que procuram informações na Central de Atendimento à Mulher --o Disque 180-- sobre o que fazer em caso de agressão por parte dos maridos. Ao todo, o serviço registrou 791.407 atendimentos. Segundo a pesquisa, a maior parte dos telefonemas envolve dúvidas sobre a aplicação da Lei Maria da Penha, que instituiu penas específicas para quem agride mulheres e leva o agressor à prisão. Neste período, foram 293,8 mil --sendo que 86.844 relatos de violência. Os números mostram 53.120 casos de violência física, 23.878 de ameaças, 6.525 de xingamentos, 1.226 de violência patrimonial, 1.645 de violência sexual, 389 de cárcere privado, entre outros. Na maioria das denúncias, as mulheres revelam que as agressões são diárias. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a pesquisa mostra ainda a continuidade de uma cultura machista. Temporão citou o caso da estudante Geyse Arruda, 20, hostilizada no mês passado por usar um vestido curto no campus da Uniban em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). "Nós sabemos que 70% das agressões são diárias, é uma estrutura onde vários componentes do machismo acaba impactando. Temos um recente caso da jovem agredida por um conjunto de estudantes. Essas situações que aparecem revelam uma microestrututra machista de mulheres que ainda enfrentam cenas explícitas e claras de violência", disse. De acordo com o estudo, o perfil das mulheres que procuram o serviço identifica que 43,3% são negras, têm entre 20 e 40 anos, estudaram até o ensino médio e estão casadas ou possuem união estável. Segundo a ministra Nilcéa Freire, da secretaria, 1 em cada 3 mulheres já sofreu algum tipo de violência. "O serviço é importante para mostrar que apenas uma ligação pode mudar o destino de uma mulher que liga e pede ajuda." 2009 Os dados do governo mostram que somente em 2009 o número de denúncias de agressões a mulheres por meio do Disque 180 aumentou 25%. De janeiro a outubro foram registradas 269.258 ligações para a Central de Atendimento à Mulher. No mesmo período do ano passado, as denúncias de agressão as mulheres totalizaram 216.035. Em números absolutos, neste ano, as mulheres que moram em São Paulo foram as que mais recorrem à central. São Paulo lidera o ranking de atendimento, com 87,4 mil chamadas. Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem na segunda e terceira posições, respectivamente, com 33,8 mil e 18,2 mil registros. Em termos proporcionais, a Distrito Federal é a unidade da federação que mais recorreu ao Disque 180, com 462,5 atendimentos para cada grupo de 50 mil mulheres. A pesquisa foi divulgada hoje, em ocasião do Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. Uma das ações do governo para a campanha este ano é reforçar as ações da central --foi anunciada a ampliação de 20 para 50 pontos de atendimento no serviço. Fonte: www.folha.com.br |