Empresas
ferem o Código de Defesa do Consumidor e a ConstituiçãoEm entrevista
ao Especial Cidadania, o presidente da Associação
Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo
(Andep), Cláudio Candiotta, aponta falta de respeito ao consumidor.
Quais
são as reclamações mais freqüentes à
Andep?
Infelizmente,
as companhias aéreas desrespeitam os direitos dos consumidores,
que na maioria dos casos precisam recorrer à Justiça.
As reclamações mais usuais à Andep são
atrasos e cancelamento de vôos sem aviso prévio, overbooking,
extravio de bagagens, cobrança indevida de multas e falhas
no serviço de informação.
Como
surgiu a Andep e como ela vem atuando?
A Andep foi
criada em virtude de experiências negativas entre representantes
de vários segmentos da sociedade e empresas aéreas.
A associação atua prioritariamente prestando informações
e na procura por composições amigáveis ou judiciais
entre passageiro e companhia.
A criação
da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
vai ajudar?
A Andep não
tem expectativas no que se refere aos direitos dos passageiros.
O segmento das empresas de aviação civil sempre editou
suas próprias regras, e algumas até ferem dispositivos
do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e da Constituição.
Parece ser mais interessante economicamente para as empresas enfrentar
ações judiciais do que cumprir o código. Possivelmente,
as companhias só passarão a cumprir a lei se houver
mais ações e aumento das penas nas condenações.
Uma mudança na situação não dependerá
da criação da Anac.
A crise
do setor de aviação civil afeta o consumidor?
Sim, diretamente.
O consumidor cumpre a sua obrigação, que é
o pagamento, sem a obtenção da prestação
do serviço, que é o transporte aéreo. Isso
ocorreu com a cassação da concessão da Vasp
e, além disso, inúmeros consumidores ficaram em situações
delicadíssimas. Alguns não tiveram condições,
por exemplo, de retornar ao seu local de origem.