Autopiedade
Já
tive oportunidade de falar alguma coisa sobre esse tema em capítulos
anteriores. Gostaria de deter-me a ele de forma mais clara.
Algo que freqüentemente constatamos em drogadictos em recuperação
é o sentimento de autopiedade. Eles julgam-se menos porque não
podem mais usar drogas, porque necessitam freqüentar uma sala de
orientação, porque perderam “amigos” da ativa,
porque são portadores de uma doença - que a necessidade
compulsiva do uso de drogas. Querem a atenção de todos.
Desejam alguém que lhes passe a mão na cabeça constantemente
e acaricie seu ego.
A autopiedade já derrotou muitos dos que estavam no caminho certo
da liberdade, longe das drogas. Esse sentimento derrotista puxa o recuperando
para trás, impede-o de caminhar, arma-lhe ciladas aparentemente
lógicas para massacrar seu ego de “bebê adulto”
que sente saudade do brinquedo anestesiante que lhe retirado.
Recuperando: assuma a sua vida com os erros, fracassos e também
com os acertos. Você é o único responsável
pelos seus atos e pelas conseqüências deles. Você foi
feito para vencer, sem nenhuma droga, somente com as suas próprias
forças. A única coisa pela qual deve sentir tristeza na
sua vida é não ter descoberto que havia uma saída
antes. Hoje você a conhece: agarre-a com todas as suas forças!
(extraído da obra Se... alguém na sua família usa
drogas, de Pe. Sérgio Jeremias de Souza – Editora Vozes).
Perguntaram a um rabino: Quem é sábio? Ele respondeu: aquele
que encontra sempre algo a aprender com os outros. Quem é forte?
Aquele que é capaz de dominar a si mesmo. Quem é rico? O
que conhece o tesouro que tem: os dias, as horas de vida que podem modificar
tudo o que acontece a sua volta.
Aproxime-se das pessoas que praticam a virtude, pois sempre aprenderá
com elas. Domine os seus maus instintos, domine o seu vício. Aproveite
os dias, as horas e os minutos que lhe restam. Só assim viverá
com sapiência, força e riqueza.
Que o Grande Arquiteto do Universo invada de forma retumbante o seu coração,
tornando-o um vencedor.
Dr.
Orildo Nogueira, Delegado de Polícia em Lins.
Artigo
publicado no jornal Correio de Lins de 14/05/1999, na coluna Drogas –
bicho: sai dessa!
Revisora:
Flávia Nanci Carvalho, investigadora de polícia, bacharela
em Direito e em Letras.
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