Xerife
Light
Tudo
começou em janeiro deste ano. Ao término das férias
daquele mês, tendo aproveitado ao máximo os quitutes à
beira mar e os bons restaurantes da capital sem fazer nenhum exercício,
nem mesmo acionar o controle remoto da TV (encargo que cabia a meu filho),
cheguei a Lins e fui para a balança – 113k mal distribuídos
nos meus 1,74m de altura. De fato, eu estava em forma – de bola.
E não foi só isso que me assustou. Conversando com um colega
delegado de polícia na Colônia de Férias de Ubatuba,
em dado momento ele me pergunta: - e você, Orildo, já está
para se aposentar? Com trinta e oito anos de idade, mas na época
com um “corpinho” de cinqüenta, sedentário, disse,
meio sem graça, que não. Afinal, me faltavam uns doze anos
para atingir a ociosidade remunerada, mas percebi que a aparência
rechonchuda envelhecia-me e me tornava um forte candidato ao triglicérides,
à pressão alta e ao ácido úrico, entre outros.
Fui ao Dr. Luiz Terra, que avaliou minha condição física
na esteira: sofrível. No ultra-som verificou que havia “uma
capinha de gordura” no coração, mas que estava tudo
bem. Afinal, um jovem de trinta e oito anos, não fumante e abstêmio.
Mas...
Resultado: “consultei” também minha esposa, nutricionista,
e lhe pedi socorro. Queria deixar de ser ponto de referência e esquecer
aquelas gozações, como as famosas frases: “aquele
lá, perto daquele gordo”, ou “gordo não paga
passagem de avião, paga frete”, ou ainda “o e-mail
dele tem sete @ (arrobas)”.
Assim, no final de janeiro, passei a fazer caminhadas diárias (com
sol, chuva, frio, calor), de seis quilômetros, por cerca de cinqüenta
minutos à uma hora. Orientado pela nutricionista, reduzi as milhares
de calorias diárias (picanha gorda, refrigerante, chocolate, massas,
etc.) para 1200 calorias/dia, ou seja, no começo passei fome, muita
fome. Sonhei com jantares, festas, bufês. Mas a coisa estava indo
bem, mesmo porque, quando “assaltava” a geladeira, era severamente
repreendido pela nutricionista que mora comigo. Dados os puxões
de orelha, eu voltava às refeições balanceadas.
Caro leitor, chuchu e berinjela passam a ter gosto de fraldinha e picanha.
Torradinha vira chocolate. Arroz integral vira à carreteiro. Basta
ter imaginação e uma força de vontade hercúlea
para assimilar um novo gosto nas coisas. A maçã vira sua
companheira diária. Talvez Adão e Eva estivessem de regime
e não resistiram à tentação de comê-la.
As calças começavam a cair. Bom sinal, estava emagrecendo.
Mas, é claro, despesas extras passaram a surgir. Aperta daqui,
dali, falta mais um pouco aqui e a costureira vai retirando pano de todo
lado. O espelho, aquele seu pior inimigo, passa a visualizá-lo
com mais carinho e, embora você esteja a quilômetros de um
Paulo Zulu ou Tony Ramos, ao menos você cabe nele por inteiro.
As gordurinhas vão sumindo, mas nem todas. Algumas, como se fossem
pragas, deixam marcas e aí vem a idéia: academia!
E vamos nós para a academia do Ricardo Assef. Enferrujado, dou
início a um novo desafio. De sedentário a praticante de
musculação. Três vezes por semana, uma hora de bicicleta,
esteira, braço e abdominais. Ufa, como é difícil!
Contudo, motivado pelas orientações e “duras”
da nutricionista, e também pelos resultados, continuo no ritmo,
tentando alcançar meu objetivo: emagrecer com saúde.
Percebi que estava ficando bom quando uns amigos me convidaram para jogar
bola e escalaram-me como titular. Foi a glória! Eu, titular, imagine!
Nunca pensei nisso! E, por sorte talvez, fiz dois gols e consegui pular
para comemorar, o que não fazia há muito tempo.
Hoje, com 85k, 28 a menos do que estava em janeiro, acho que cheguei lá.
Sugiro que você faça o mesmo. Mas não acredite em
dietas milagrosas. O segredo é consultar um especialista, abastecer-se
de comida balanceada e praticar exercícios regularmente. Fácil,
né? Ah, se puder, case-se com uma nutricionista.
Mariela, valeu! Vamos ao Choppão ou ao Salsa´s? Não
vejo a hora de comer aquele filé grelhado com legumes e tomar um
suco sem açúcar. E vamos a pé, é claro!
Dr.
Orildo Nogueira, Delegado de Polícia em Lins.
Crônica
publicada no jornal Correio de Lins de 23/24 de dezembro de 2000 e reproduzida
no Informativo da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia
do Estado de São Paulo), nº 66, março de 2001.
Revisora:
Flávia Nanci Carvalho, investigadora de polícia, bacharela
em Direito e em Letras.
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