Crescendo
No
dia 23 de fevereiro transato, na sala de vídeo do Centro Educacional
Nossa Senhora Auxiliadora/CENSA, houve um encontro com pais de alunos,
oportunidade em que foi exposto o projeto “Crescendo”.
Por acreditar ser importante a todos os pais, peço licença
àquela escola – CENSA, para transmitir aos leitores do jornal
Correio de Lins muito do que aprendi, e escusas por talvez não
abordar fielmente o que foi ministrado, privilegiando aqui, em razão
de meu cargo, minha impressão pessoal.
Antes da apresentação do projeto, foi-nos exibido um vídeo
com manifestações do Dr. Içami Tiba, renomado autor
de livros, dentre eles, Adolescência – o despertar do sexo,
da Editora Gente.
Com maestria, o palestrante definiu conceitos como disciplina, ética
e cidadania. Disciplina essa que, como sinônimo de método
de vida, deve existir desde os primeiros passos da criança. As
pessoas que têm disciplina são aquelas com quem podemos contar,
pois fazem aflorar o sentimento de gratidão. Daí a necessidade
de motivar nossos filhos a incorporar no dia-a-dia o “muito obrigado”.
Vivenciando a disciplina e a gratidão fica mais fácil entender
a religiosidade e o espírito comunitário, traduzido pelo
mestre como sensação do pertencer a uma equipe, a uma família.
Não adiantam valores se o jovem não sabe se compor e respeitar
as outras pessoas, entre elas pais e professores.
A ética poderia ser assim conceituada, ou seja, a maneira de se
respeitar as outras pessoas – as leis que aplico para o outro aplico
para mim.
Graças à cidadania podemos viver em sociedade, respeitando
sempre o ambiente em que vivemos. O jovem deve respeitar suas coisas,
o seu quarto, o seu material escolar. Agindo assim, ele vai desejar e
contribuir para a edificação de uma sociedade melhor. Isso
é investir em si e no outro.
O ser humano não se compõe de acordo com as pessoas de seu
meio social, ou seja, a força bruta o tempo corrói; o status
e o cargo a aposentadoria leva; o dinheiro muda de mão. O que permanece
são os relacionamentos, as pessoas com quem nosso filho, e o jovem
de um modo geral, relacionam-se; a quem amam e por quem são amados.
O pai é um educador, pois o filho observa mais o que ele faz e
não o que fala. Como pais, cabe-nos amar e proteger a nossa família,
mas também, e, principalmente, encetar-lhe sadios exemplos.
Nós, como sociedade, valorizamos a capacitação profissional
e esquecemos um pouco a ética, o exercício do social. À
união desses conceitos o autor deu o nome de Alfabetização
Relacional, que nada mais é do que nós, família e
escola, lutarmos em sintonia para encontrar uma forma de educação
para o relacionamento humano - base da sociedade. Como disse o filósofo
grego Aristóteles, quatro séculos antes de Cristo, “o
homem antes é um animal político”, ou seja, já
por sua natureza ele não vive sozinho, tendo sempre a necessidade
da companhia dos seus semelhantes. De fato, através dos séculos,
isso foi reafirmado por muitos pensadores.
É nosso dever ajudar o jovem a incorporar o espírito de
família. Essa, sendo a nossa “igreja doméstica”,
tem de vir acima do indivíduo.
As pessoas, mesmo crianças e jovens, são responsáveis
pelos seus atos. Cada um deve fazer o que lhe compete. O começo
deve ter fim (exercício da disciplina). Em síntese, cidadania
é tornar melhor o lugar que encontramos, que herdamos.
Cidadania também é respeitar a coisa pública como
sendo de todos nós e não como coisa de ninguém. É
fazer brotar em nossos corações o sentimento de amor à
nossa terra, o orgulho de vivermos nela, irmanados.
Ao final, a pedagoga que apresentou o projeto nos lembrou que temos de
respeitar a individualidade do jovem, seus momentos, seu espaço,
pois se não o respeitarmos, ele não respeitará o
outro; precisamos oferecer a ele a oportunidade de se expressar, de se
comunicar, garantindo, assim, o diálogo; promover-lhe atividades
culturais, esportivas e de lazer, privilegiando esse conjunto com o escopo
de um crescimento saudável; transmitir-lhe informações
corretas, para cairmos em descrédito; impor-lhe regras/limites,
mas bem definidos, uma vez que o limite é fator de proteção;
é imprescindível saber dizer não e fundamentar as
nossas decisões, para encorajá-lo a ser responsável,
enfim, transmitir a esse jovem muito carinho e afeto, fazendo-o sentir-se
útil e valorizado.
Encerrando o valioso encontro, a Ir. Mirian, com sua habitual serenidade,
convidou-nos à reflexão do que foi abordado e realizou feliz
leitura do Evangelho, motivando-nos a participar com a escola na formação
dos nossos filhos.
Os pais, como educadores, precisam colaborar na educação
de seus filhos. Mas não só na educação formal,
dada pelos livros, mas na arte de formar o seu caráter e a sua
personalidade. “Doar parte de seu tempo a seu filho é fator
de proteção (prevenção)”.
Cabe-nos fazer com que os nossos vivenciem os limites, mas bem definidos,
de cidadania, ética, gratidão, etc.
Como pai e membro da APM, apresento meus encômios ao CENSA pelo
evento, augurando sucesso no projeto Crescendo.
Dr.
Orildo Nogueira, Delegado de Polícia em Lins.
Artigo
publicado no Informativo da ADPESP (Associação dos Delegados
de Polícia do Estado de São Paulo), nº 63, novembro/dezembro
de 2000.
Revisora:
Flávia Nanci Carvalho, investigadora de polícia,
bacharela em Direito e em Letras.
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